Política

Irmão de Michelle entra na briga e fragiliza ainda mais o bolsonarismo

A aparente unidade da extrema direita brasileira sofre um forte abalo com a escalada de tensões no clã Bolsonaro, revelando as contradições de um projeto político que sempre utilizou a família e a lealdade como mercadorias eleitorais. O mais recente capítulo dessa crise envolve o irmão de criação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Eduardo Torres, que saiu em defesa dela após a repercussão de um vídeo em que Michelle acusa o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de humilhação e de uma “punhalada”.

Ao afirmar que Michelle “falou pouco diante de tudo”, Torres elevou a temperatura política do episódio, retirando o caso do campo das desavenças domésticas e sugerindo que há muito mais por trás dos bastidores do Partido Liberal. O desentendimento, ocorrido no contexto de disputas internas na legenda em 2025, expõe a fragilidade de Flávio Bolsonaro, que tenta se consolidar como o herdeiro político moderado do ex-presidente, mas agora surge como operador de uma humilhação contra a própria madrasta.

Esse método de desgaste e isolamento de aliados não é novo para o senador. No passado, Flávio utilizou estratégia semelhante para se distanciar de Fabrício Queiroz, ex-assessor do caso das “rachadinhas”, que posteriormente declarou se sentir tratado como um “leproso” pela família. Agora, a mesma lógica de descarte se volta contra o próprio clã, ameaçando a narrativa de coesão que sustentava a base bolsonarista.

Para agravar a situação de Flávio Bolsonaro, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, designou o ministro André Mendonça como relator de uma notícia-crime que investiga supostas irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”, envolvendo o senador e o dono do Banco Master. A nova frente jurídica, somada às denúncias familiares, enfraquece a tentativa da extrema direita de se reorganizar institucionalmente, mostrando que a máquina de triturar reputações agora consome seus próprios criadores.