Política

Ciro Nogueira e o Rastro de Dinheiro: Lucros Milionários e a Investigações da PF

Brasília – A empresa da família do senador Ciro Nogueira (PP-PI), a Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis Ltda, registrou um lucro acumulado expressivo de mais de R$ 46 milhões até novembro de 2025. Desse montante, o próprio senador tem previsão de receber aproximadamente R$ 7 milhões, conforme revelado por documentos obtidos com exclusividade.

A investigação da Polícia Federal (PF) agora mira um contrato de R$ 14,2 milhões firmado entre a Athena Real Estate, empresa ligada ao empresário Ricardo Magro, e a companhia da família de Nogueira. Magro é apontado como líder de um esquema complexo envolvendo fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e suspeitas de cooptação de agentes públicos. O negócio em questão faz parte da Operação Sem Refino, que apura as atividades do grupo Refit, de propriedade de Magro, que atualmente é foragido internacional e alvo de um decreto de prisão do STF.

Ciro Nogueira confirmou a existência do contrato, informando que R$ 10,8 milhões já foram pagos pela compradora. A ata da reunião de sócios da empresa familiar, realizada em Teresina, detalha que os pagamentos dos lucros serão distribuídos ao longo de 2026, 2027 e 2028, com valores que somam mais de R$ 7 milhões para o senador.

O contrato milionário prevê a compra de uma área de 40 hectares no sul de Teresina pela Athena Real Estate, com a justificativa de instalação de uma distribuidora de combustíveis. A PF investiga se a operação imobiliária pode ter servido para ocultar vantagens indevidas e analisa uma possível relação entre o negócio e a atuação de Ciro Nogueira no Congresso em pautas de interesse da Refit. Notícias passadas apontam que o senador apresentou emendas a projetos de lei que poderiam beneficiar empresas do setor de combustíveis, conhecidas nos bastidores como “emendas-Refit”, embora não tenham sido aprovadas.

Em resposta, Ciro Nogueira negou qualquer irregularidade, afirmando que a negociação foi “regular e totalmente declarada” e que não participou diretamente das tratativas. Ele alegou que sua participação societária na época era inferior a 1% e que atualmente não faz mais parte do quadro societário da companhia. Documentos, no entanto, indicam que o senador ainda mantinha usufruto sobre quotas da empresa e previsão de recebimento de lucros futuros.

A investigação também aponta conexões entre a Athena Real Estate e outras empresas sob suspeita de movimentar bilhões de reais em operações atípicas, possivelmente utilizadas para movimentar recursos da Refit e reinserir capital no sistema financeiro com aparência de legalidade. A Operação Sem Refino tramita no STF devido ao foro privilegiado dos envolvidos.

Além disso, a empresa da família de Nogueira recebeu R$ 63,9 mil de um posto de combustível investigado na Operação Carbono Oculto, que apura um esquema de lavagem de dinheiro do PCC no Piauí. As transferências foram feitas por meio de uma fintech apontada como peça-chave em esquemas de lavagem de dinheiro.